Observação: Bueno, volto depois de muito, porém todo tempo de algo vale, nem que seja de descanso para as ideias. O fato é que aqui retomo a partir de dois textos quase iguais.
Obs 2: Iguais não é a melhor, nem mais justa, denominação. Versões! São versões diferentes de um mesmo exercício.
Explicação do Exercício (obs 3): O exercicio consiste no desenvolvimento de um conto a partir de fragmentos de um conto já existente e de uma palavra de escolha. Nesse caso foi o "A bailarina do Teatro São João" de Paulo Setúbal, a palavra é devaneio.
Obs 4: Os trechos retirados do conto original deixarei em itálico.
Obs 4: Os trechos retirados do conto original deixarei em itálico.
1ª versão
Risos de vingança
Risos de vingança
Um acontecimento que lhe parecia surreal. Sua vontade era esgueirar-se pelas ruas rindo alto, alto demais que nem a reconhecessem por tamanha ousadia, ou desrespeito - como era mais provável que denominassem. A rainha Dona Mana, em vida, detestara Dona Carlota Joaquina. Dona Carlota por sua vez, detestara a rainha. Não se toleraram nunca. E agora, eis que ela olhava a velha louca no caixão, aquela a quem tanto xingou em seus pensamentos e para quem, pela primeira vez, gostaria de sorrir sinceramente, um sorriso de vitória, de alívio, de prazer! Mas infelizmente não podia. Não naquele momento.
Contendo sua falta de sofrimento, ela volta a si e fita a Senhora Viscondessa do Real Agrado e Dona Margarida Sofia de Castello Branco, ambas velando com fundos respeitos o corpo real. Com ar sombrio ela pensa que essas são umas bajuladoras sem porquê. Mal sabem os maus bocados, infortúnios e desconfortos que passara por conta da doida. Se soubessem, matraquiariam com ela sobre a alegria daquele dia.
Ela encara novamente o corpo como enamorada por tal momento, e vê tudo aquilo, aqueles lutos, aqueles cortesões fúnebres, aqueles coches recobertos de crepe, e de repente escuta uma música ao longe:
-Vamos dançar João, vamos! Temos que comemorar! Veja essas pessoas, tão felizes! Quase tanto quanto eu.
Ela pensava e se perdia no próprio entusiasmo - imagine dançar com João! Morreria em meio a suas banhas, era o que com certeza diria. Voltava à pasmaceira como que abduzida, sem saber ao certo de onde e para onde voltara.
Acabado o funeral, foi se deitar como uma criança que conseguiu o que queria. Feliz como jamais imaginaria sentir-se com o fardo de ser casada com Dom João VI. E um som invade sua paz, tirando-lhe a paciência:
-“Qui est-lá?”
- Sou eu! Abra...
Abrupta e palpitante ela acorda e levanta seu dorso para encarar a realidade. Já refeita, cria coragem:
-Dona Maria?
- O que lhe parece? Levanta-te bigoduda, já não te suporto sã, qual com essa cara de aparição!
E Maria, a louca, ria alto, alto demais para que Carlota Joaquina conseguisse se recompor da própria desventura.
Obs 5: O começo é o mesmo, mas mudei o meio para o final tentando melhorar. Mas nem todos acharam que foi para melhor. Para minha surpresa, uma professora, a quem gosto, considero e sempre recorro gostou mais da já lida versão. Segue a segunda:
2ª e "oficial" versão, já que a li na oficina de literatura da qual participo.
Risos de vingança
Um acontecimento que lhe parecia surreal. Sua vontade era esgueirar-se pelas ruas rindo alto, alto demais que nem a reconhecessem por tamanha ousadia, ou desrespeito - como era mais provável que denominassem. A rainha Dona Mana, em vida, detestara Dona Carlota Joaquina. Dona Carlota por sua vez, detestara a rainha. Não se toleraram nunca. E agora, eis que ela olhava a velha louca no caixão, aquela a quem tanto xingou em seus pensamentos e para quem, pela primeira vez, gostaria de sorrir sinceramente, um sorriso de vitória, de alívio, de prazer! Mas infelizmente não podia. Não naquele momento.
Contendo sua falta de sofrimento, ela volta a si e fita a Senhora Viscondessa do Real Agrado e Dona Margarida Sofia de Castello Branco, ambas velando com fundos respeitos o corpo real. Com ar sombrio ela pensa que essas são umas bajuladoras sem porquê. Mal sabem os maus bocados, infortúnios e desconfortos que passara por conta da doida. Se soubessem, matraqueariam com ela sobre a alegria daquele dia.
Ela encara novamente o corpo como enamorada por tal momento, e vê tudo aquilo, aqueles lutos, aqueles cortesões fúnebres, aqueles coches recobertos de crepe. Fechava os olhos e se perdia no próprio entusiasmo. Ao se recompor voltava à pasmaceira do decorrer do velório como que abduzida, sem saber ao certo de onde e para onde voltara.
Acabado o funeral, foi se deitar como uma criança que conseguiu o que queria. Feliz como jamais imaginaria sentir-se com o fardo de ser casada com Dom João VI. E um som invade sua paz, tirando-lhe a paciência:
-“Qui est-lá?”
- Sou eu!
-Dona Maria?
- E então o que pensas? Levanta-te bigoduda, já não te suporto sã, qual com essa cara de aparição!
E Maria, a louca, ria alto, alto demais para que Carlota Joaquina conseguisse se recompor da própria desventura quando abrupta e palpitante ela acordou levantando o dorso para encarar a realidade. Mais feliz do que quando foi dormir, passou a gargalhar. Findado o frenesi, Carlota encara o nada com um meio sorriso e desabafa:
-Velha louca! Bigoduda são tuas partes!
Se for de vontade, comentem dizendo da qual mais gostaram. ;D