terça-feira, 23 de agosto de 2011

Da cidade ternura para o mundo: atleta tatuiana na seleção juvenil de vôlei

Cidade do interior, treinos semanais e sonhos compartilhados pelos representantes da cidade ternura. Tatuí que tem tradição no vôlei e foi ouro na modalidade com o time feminino e masculino na categoria sub 21 na última edição dos jogos regionais, disputadas na cidade de Itapetininga, também é berço de talentos que representam o país.
Marjorie Corrêa tem 18 anos e deu os primeiros passos no esporte nas quadras de um clube da cidade e no ginásio municipal “Araão Donizete”. Ela, que com 14 anos foi para Maringá (PR) representar o Amavolei, hoje, junto à irmã mais nova Stephanie Apolinário, está no Pinheiros (SP) time paulista com tradição na Superliga. “Tatuí foi onde tudo começou. Eu brincava de vôlei no portão da casa da minha avó com minha irmã e minhas primas. Comecei a treinar no Sesi e depois fui para o projeto (treino municipal). Iniciei minha profissão lá, aprendi a gostar de vôlei lá” diz Marjorie.
As irmãs já foram convocadas pela seleção brasileira. Ambas jogam como meio-de-rede. Stephanie na infanto-juvenil e Marjorie está na juvenil desde o ano passado. A dona da camisa catorze já participou de dois Campeonatos Sul-Americanos – o time conquistou ouro nos dois– e competiu durante nas duas últimas semanas de julho (do dia 21 ao 31) o Campeonato Mundial Juvenil de Vôlei no Peru pela Fivb (Federação Internacional de Voleibol), seu primeiro campeonato mundial em que conquistaram a medalha de prata, tendo perdido apenas o jogo final para Itália. “Por trás de um título está exatamente tudo o que ninguém vê. Os quatro meses que passamos no centro de Saquarema (RJ) treinando, ralando. Temos folga um final de semana sim outro não. Abrimos mão de tudo para nos dedicarmos aos treinos” conta Marjorie sobre a preparação para o mundial.
Sobre o desenvolvimento de Stephanie Marjorie diz que “minha irmão é meu orgulho. Quando a vejo treinando em Saquarema, parece quem eu nem estou na seleção, só ela. Stephanie esta tendo a oportunidade que eu não tive que é estar na seleção infanto - eu só fui para a juvenil (2010 e 2011) - vai ser muito bom para ela”.
Sobre a carreira ela diz ter-se dado conta de ser uma atleta profissional ainda em Maringá (PR). Disputou aos 17 anos sua primeira Superliga pelo Macaé (RJ) e agora joga pelo Pinheiros (SP). Mas o maior sonho ainda está por vir. “Me sinto realizada na seleção. Era um sonho que batalhei até conseguir. Agora tenho que ralar muito para chegar onde quero ,que é a seleção adulta” diz Marjorie.
Sobre Tatuí, quando visita a família ela sempre retorna ao antigo ginásio no qual iniciou sua paixão pelo vôlei. “Gosto de ir ao ginásio sempre que vou a Tatuí. Vejo o treino e lembro de quando comecei. Eu imagino quantas poderão ter a chance que eu tive. Tenho uma outra irmã que treina em Tatuí, converso muito com ela e algumas de suas amigas que também treinam lá. Falo que vale a pena todo o sacrifício, que elas tem que treinar muito e se dedicar sempre porque os resultados vem com o tempo” finaliza a atleta.
 **Fotos concedidas pela atleta

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"O Fantasma da Ópera": da Ópera de Paris à notícia, romance e musical. Muita Merda!

texto iniciado às 14:40 de 04 de julho de 2011

Quatro dias. Uma história de mais de 100 anos que me prendeu a atenção. Talvez valha a pena contar como sucedeu meu acaso encontro com esse livro, pensando bem foi, naturalmente, uma forma bem típica do próprio enredo que me acompanharia pelos dias a seguir: sorrateiro, de surpresa e marcante.

Terça-feira, 28 de junho. Por volta das 15h30 subo a rampa da biblioteca municipal Brigadeiro Jordão em busca de um livro em específico, um romance que virou minissérie. Desistindo da ideia, e em seguida não encontrando-o continuei andando por entre as prateleiras em busca de um título que me atraísse.

Caminhando encontro uma, duas pessoas conhecidas e nessa etapa já me perdi do outro nome que havia percorrido minha mente e eu solicitava para levar e ler após ver vários exemplares. Continuei andando.

De volta à primeira estante, chegando quase ao final, freio minhas passadas, retorno dois ou três passos. Fito e me animo. Pego-o na mão e eis: O Fantasma da Ópera de Gaston Leroux.

Dai em diante meus passos e cotidiano seriam acompanhados e tomados pelos de Erik, o Fantasma da Ópera.

***

Largando o jornalismo e voltando-se para os livros, Leurox pega o suspense como raiz. Um cenário de amor perturbado pelo sádico Erik que aterroriza não só a cantora Christine Daaé, mas também os  novos e antigos diretores da Ópera de Paris e seus empregados.

O mais interessante no livro é que logo no prólogo Leroux certifica a existência do macabro. Então, mesmo em meio a descrição de um típico romance impossível, sofrido e forte, o que paira sobre a mente é filtrar as partes do romance e tentar achar resquícios da verdade, separá-la da literatura para que, mentalmente, seja reconstruído o caso do brutal assassino.

O fato de Leroux usar de fatos reais para desenvolver romance acabou me lembrando Trumam Capote, do qual li "A Sangue Frio". Narrativas completamente distintas, Leuroux é mais sucinto além de articular uma certa magia nas mentes, aliás, trata-se de um fantasma. Capote já abriga sua narrativa nas paredes das celas e mentes confusas de uma dupla de bandidos.

O terror acabou se tornando fenômeno, no caso de Leroux através do livro, filmes e voltando a sua "casa" de origem: o teatro com o conhecido musical "O Fantasma da Ópera". Um público extenso em gênero e espaço de tempo. Muita merda!

terminado às 10:28 de 11 de julho de 2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A vida é amarga, mas a carga é doce

Os óculos sobrepostos tentam uma melhor 
ótica sobre o que a realidade lhe propõe 
- Prazer, Antonio Carlos.

Ele me estende a mão, nos cumprimentamos. Vamos até um salão que se assemelha a um restaurante popular, com várias mesas de madeira dispostas no espaço, cobertas por toalhas estampadas de flores.

Ele, eloquente como apenas um criado em meio político pode ser, explica com um pensamento a determinação da qual se encheu para ir embora. A verdade sobre como o ser humano se mostra: quase por completo. A porcentagem restante, única e pequena, é a que o íntimo conhece e desconhece ao mesmo tempo. A que faz um homem sair de casa.

"Hoje eu estou assim com Deus: se eu ficar 
vivo é um favor que ele me faz. Se eu não estiver, dois.”
Nos sentamos no canto perto da janela, por onde o sol  adentrava clareando o ambiente e os vários moradores que, um em cada canto, faziam sua parte descascando um por um das centenas de dentes de alho dos baldes.


Morador de rua desde 2000, já passou por muitas cidades. Alcoólatra, ex-pai de família, cinco filhos, tendo destes, quatro vivos. Foi embora dizendo que ia comprar um maço de cigarros. Nunca mais voltou.

“O amor de infância é o melhor que tem
(...) a sinceridade da infância é tocante,
uma espada (...) derruba qualquer gigante”,
diz lembrando da infância dos filhos 

Aos 55 anos de idade, Antonio Carlos inicia explicando os vários costumes que um morador de rua pode adotar. Ele é o do estilo cíclico, já passou pelas ruas e agora está na Casa de Apoio aos Irmãos de Rua na cidade de Tatuí, sudoeste de São Paulo. Cíclico pois alterna sua estadia da Casa para as ruas ou outra instituição.

O abrigo é cheio, mas quase não se ouve vozes. Enquanto  a entrevista prossegue e a  câmera é pega  para algumas fotos,  alguns olhos desconfiados, de não moradores de rua, vigiavam fixa e duramente. Já os moradores, pareciam nem notar a movimentação incomum.


Veio de São Paulo, cidade na qual tinha uma vida financeira razoável quando comparada a de Bill Gates, que, para seu Antonio, é quem tem uma vida boa. Ele passou por dificuldades judiciais que tiraram seu nome do mercado de trabalho. Exercia engenharia civil pela Prefeitura de São Paulo e teve seus direitos como profissional caçados.


Alguns moradores de rua almoçam 
enquanto seu Antonio Carlos segue 
até seus projetos. No caminhão, 
a frasetraduz as emudecidas e
 solitárias faces : "A vida é amarga,
mas a carga é doce."








Junto aos transtornos do processo e o desemprego, procurou vender seus projetos para escritórios de engenharia, já que não podia os assinar. Neste contexto, o convívio familiar foi modificando e os problemas surgindo.

Um viajante. “Quando você 
não tem um lugar para voltar, 
automaticamente, 
se é um viajante” 

Já na rua, ele subsistia com pequenas prestações de serviço e vivia junto à mãe que estava doente. Compartilhavam o alcoolismo.

Após a morte da mãe, seu Antonio passou 
por diversas cidades até chegar, por meio do ex-cunhado, à Tatuí. Abrigado em um lar administrado por instituição evangélica ele preferiu sair e seguiu à Casa de Apoio aos Irmãos de Rua, lugar para onde voltou recentemente após uma temporada no estado do Rio Grande do Norte.




Ele se debruça sobre a planta. Esta é a
parte da entrevista em que mais
gesticula, explicando
parte a parte do projeto
Analisando as decisões que mudaram o curso de sua vida, ele não se arrepende. Continua trabalhando, inclusive para a Casa de Apoio, planta a qual mostra e explica as mudanças e procedimentos.


Sem contato com a família e sem perspectivas, ele diz que o maior amor que teve na vida foi por seus filhos na faixa do zero aos sete anos, e que hoje tem amor a cada coisa que faz. Mas é nítido ao que tem mais paixão: aos projetos.






A entrevista que fiz com seu Antonio Carlos foi muito marcante para mim. Essa é uma das minhas reportagens mais difíceis de terminar por questões técnicas até hoje, mas valeu muito a pena.  Escrita para a matéria  de Jornalismo na Internet I essa reportagem deveria estar e deverá ser publicada no site Sou Repórter
Link da reportagem para o site Sou Repórter: http://soureporter.com.br/?p=1046 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Concurso nacional literário de contos, crônicas e poesias Paulo Setúbal

Essa entrevista foi feita para a matéria de Radiojornalismo I.  Informa sobre o concurso nacional de literatura promovido pela cidade de Tatuí e contém entrevista com Sueli Aduan, ex-jurada do concurso.
As inscrições encerram nessa sexta, 15 de julho.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Pelo riso e a chaga: jornalismo e design se unem num casamento – quase – perfeito

 Esta reportagem  foi escrita em 16 de junho de 2011 como prova da matéria Técnica de Reportagem, Entrevista  e Pesquisa Jornalística I, ministrada pela Profª Drª Ana Maria Cordenonssi .
Obs: evidente que eu só a publico porque o resultado foi positivo, me rendendo um A e  uma paz interior após dias de consternação profunda (que exagero, mas estava preocupada sim).
Obs 2: Uma reportagem sobre o Salão Universitário de Humor de Piracicaba edição 2011. Procurei corrigir os erros apontados pela professora, mas não sei se lembrei de todos.  Porém sem aflições! (Por milagre) Eu tirei A, não?! Então não é nenhum erro escabroso que talvez tenha vazado. 
Tenho dito. xP

Risadas, sátiras, críticas e mensagens. Uma mistura de cores, formas, ideias, traços e talentos. Uma arte que busca, além da qualidade visual, a reflexão sobre temas diversos. Preenchem nosso dia a dia nas páginas dos periódicos, marcam a história. O Salão Internacional de Humor de Piracicaba começou em uma época em que a censura reinava e os cartunistas queriam dizer e fazer muito, mas não era graça.

No ano de 2011, o salão passa por sua 19ª edição. Entre a programação de abertura aconteceu a mesa redonda “Humor Gráfico, Design e Jornalismo” com participação de cartunistas de alguns dos veículos da comunicação brasileira de maior abrangência. Eduardo Baptistão, 20 anos no jornal O Estado de S. Paulo, Dalcio Machado, da revista Veja e maior vencedor brasileiro em concursos para desenhistas por todo o mundo e Gustavo Duarte, há 11 anos no jornal O Lance.

Salão enchendo. As cadeiras verdes abrigavam os diversos convidados, alunos, concorrentes e jurados do concurso. O Salão Universitário de Humor, simultâneo ao Salão Internacional de Humor de Piracicaba, deu seu veredito na noite de sexta-feira, 10 de junho, após o debate. As luzes se apagaram e os vencedores foram conhecidos pela plateia, que desenho após desenho, sazonalmente reagia com risadas e interpretações sobre as mensagens que os desenhos passavam através do silêncio causado pelo deslumbre ou pelo impacto das críticas.

Na anunciação do vencedor da categoria meio ambiente do Centro Cultural Martha Watts, Camilo Riani, coordenador do Salão Universitário de Humor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) desvenda:

- O prêmio é do... como é que é...? Saman Ahmadi do Irã!

A crítica atravessa fronteiras. Fronteiras tais que podem estar mais perto que o Irã, aliás. Questionados sobre a “tática” de burlar os fiscalizadores da ditadura usada pelos cartunistas do jornal O Pasquim, os convidados argumentam e fazem afirmativas sobre a necessidade de “maquiar” as charges para evitar problemas.

- Há sim como passar a mensagem e se fazer entender para o leitor sem dar nome aos bois para evitar processo. Dá muito trabalho, é bem mais difícl de fazer, declarou Gustavo Duarte.

Tema constante no debate, o limite e o bom senso foram destacados pelos cartunistas como necessário, mas algo adquirido ao passar do tempo. Porém a maior utilidade para essa sensibilidade não é o medo, mas o respeito a situações complexas, que mexem com o sofrimento de terceiros. A crítica à política deve ser feita constantemente. Dinâmica e, infelizmente, com muito repertório ela pede bastante do cartunista e surpreende também.

- Eu fiquei muito feliz quando vi o espaço da charge e principalmente por não ter nada escrito, apenas o desenho. Não esperava, diz Dalcio Machado a respeito do destaque dado a uma charge do ex-presidente Lula feita por ele que foi capa na revista Veja na edição da última semana de setembro de 2006.

Com algumas críticas aos jornalistas, eles, que também contribuem para a construção de uma sociedade mais reividicadora, consciente e participativa, reclamam seu espaço.

- Muitas vezes o jornalista me chama e começa a falar sobre as ideias dele para a ilustração da matéria. Algumas coisas não dão para fazer, ficam feias ou não darão certo com a diagramação e alguns não aceitam opinião, mas é claro que, como toda profissão, existem os mais bacanas, afirma Baptistão.

Ligados ao jornalismo, os cartunistas não se veem fazendo outra coisa. Mas se caso não tivessem abraçado essa profissão seriam jornalistas, talvez? Eduardo Baptistão confessa que seu primeiro vestibular foi para jornalismo, mas no fundo não teria como seguir a profissão.

- Eu desenho no barulho da redação, não sei como vocês jornalistas conseguem escrever, declara Baptistão.

E o casamento entre o design e jornalismo fica por esses termos, entre os tapas e os beijos, cutucando e causando o debate na sociedade, assim como se preza um bom jornalismo, através da crítica por várias formas. Aliada ao riso para, muitas vezes, não chorar.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Final do final de semestre: poucas coisas trazem tanta paz

Obs: esqueci de ver quando comecei, é a demora de novos posts que faz isso, mas foi agora de pouco.

Há quem reclame das mais rotineiras coisas, porém o que são essas circunstâncias perto do desespero que assola um universitário que sabe que os junhos e novembros dos próximos anos JAMAIS serão os mesmos?

Não há maneira de dizer o que é o efeito ressoante, persistente e desolador que a ameaça das letras D e P juntas trazem a esse pobre cidadão que está à procura de uma profissão. Sensação de desconforto que não passa com conversas ou "Eno, alívio já!". É mais profundo que isso, já que a pobreza grita alto em nós ao ponto que se a mensalidade já é o CÃO, uma DP é um buraco que leva para debaixo da terra nosso sonho de terminar o mais rápido possível a faculdade.

Porém estudantes, o que dizer de um ser humano que faz uma viagem de Piracicaba – Tatuí, 80 km, berrando “AEWWW!!” ?? “Pane no sistema” de Pitty, talvez? Nananina.. é o último dia de aula para alguém que de forma impressionante escapou da própria neurose e pelo próximo mês não passará 3h dentro de um ônibus. É o fim do fim do semestre! Melhor que muita coisa e menos pior que tantas outras...

terminado às 14:28 de 04 de julho de 2011

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dois contos de um

Observação: Bueno, volto depois de muito, porém todo tempo de algo vale, nem que seja de descanso para as ideias. O  fato é que aqui retomo a partir de dois textos quase iguais.
Obs 2: Iguais não é a melhor, nem mais justa, denominação. Versões! São versões diferentes de um mesmo exercício.
Explicação do Exercício (obs 3): O exercicio consiste no desenvolvimento de um conto a partir de fragmentos de um conto já existente e de uma palavra de escolha. Nesse caso foi o "A bailarina do Teatro São João" de Paulo Setúbal, a palavra é devaneio.
Obs 4:  Os trechos retirados do conto original deixarei em itálico.


1ª versão
Risos de vingança

Um acontecimento que lhe parecia surreal. Sua vontade era esgueirar-se pelas ruas rindo alto, alto demais que nem a reconhecessem por tamanha ousadia, ou desrespeito - como era mais provável que denominassem. A rainha Dona Mana, em vida, detestara Dona Carlota Joaquina. Dona Carlota por sua vez, detestara a rainha. Não se toleraram nunca. E agora, eis que ela olhava a velha louca no caixão, aquela a quem tanto xingou em seus pensamentos e para quem, pela primeira vez, gostaria de sorrir sinceramente, um sorriso de vitória, de alívio, de prazer! Mas infelizmente não podia. Não naquele momento.
Contendo sua falta de sofrimento, ela volta a si e fita a Senhora Viscondessa do Real Agrado e Dona Margarida Sofia de Castello Branco, ambas velando com fundos respeitos o corpo real. Com ar sombrio ela pensa que essas são umas bajuladoras sem porquê. Mal sabem os maus bocados, infortúnios e desconfortos que passara por conta da doida. Se soubessem, matraquiariam com ela sobre a alegria daquele dia.
Ela encara novamente o corpo como enamorada por tal momento, e vê tudo aquilo, aqueles lutos, aqueles cortesões fúnebres, aqueles coches recobertos de crepe, e de repente escuta uma música ao longe:
-Vamos dançar João, vamos! Temos que comemorar! Veja essas pessoas, tão felizes! Quase tanto quanto eu.
Ela pensava e se perdia no próprio entusiasmo - imagine dançar com João! Morreria em meio a suas banhas, era o que com certeza diria. Voltava à pasmaceira como que abduzida, sem saber ao certo de onde e para onde voltara.
Acabado o funeral, foi se deitar como uma criança que conseguiu o que queria. Feliz como jamais imaginaria sentir-se com o fardo de ser casada com Dom João VI. E um som invade sua paz, tirando-lhe a paciência:
-“Qui est-lá?”
- Sou eu! Abra...
Abrupta e palpitante ela acorda e levanta seu dorso para encarar a realidade. Já refeita, cria coragem:
-Dona Maria?
- O que lhe parece? Levanta-te bigoduda, já não te suporto sã, qual com essa cara de aparição!

E Maria, a louca, ria alto, alto demais para que Carlota Joaquina conseguisse se recompor da própria desventura.

Obs 5: O começo é o mesmo, mas mudei o meio para o final tentando melhorar. Mas nem todos acharam que foi para melhor. Para minha surpresa, uma professora, a quem gosto, considero e sempre recorro gostou mais da já lida versão. Segue a segunda:

2ª e "oficial" versão, já que a li na oficina de literatura da qual participo.
Risos de vingança

Um acontecimento que lhe parecia surreal. Sua vontade era esgueirar-se pelas ruas rindo alto, alto demais que nem a reconhecessem por tamanha ousadia, ou desrespeito - como era mais provável que denominassem. A rainha Dona Mana, em vida, detestara Dona Carlota Joaquina. Dona Carlota por sua vez, detestara a rainha. Não se toleraram nunca. E agora, eis que ela olhava a velha louca no caixão, aquela a quem tanto xingou em seus pensamentos e para quem, pela primeira vez, gostaria de sorrir sinceramente, um sorriso de vitória, de alívio, de prazer! Mas infelizmente não podia. Não naquele momento.

Contendo sua falta de sofrimento, ela volta a si e fita a Senhora Viscondessa do Real Agrado e Dona Margarida Sofia de Castello Branco, ambas velando com fundos respeitos o corpo real. Com ar sombrio ela pensa que essas são umas bajuladoras sem porquê. Mal sabem os maus bocados, infortúnios e desconfortos que passara por conta da doida. Se soubessem, matraqueariam com ela sobre a alegria daquele dia.

Ela encara novamente o corpo como enamorada por tal momento, e vê tudo aquilo, aqueles lutos, aqueles cortesões fúnebres, aqueles coches recobertos de crepe. Fechava os olhos e se perdia no próprio entusiasmo. Ao se recompor voltava à pasmaceira do decorrer do velório como que abduzida, sem saber ao certo de onde e para onde voltara.

Acabado o funeral, foi se deitar como uma criança que conseguiu o que queria. Feliz como jamais imaginaria sentir-se com o fardo de ser casada com Dom João VI. E um som invade sua paz, tirando-lhe a paciência:

-“Qui est-lá?”

- Sou eu!

-Dona Maria?

- E então o que pensas? Levanta-te bigoduda, já não te suporto sã, qual com essa cara de aparição!

E Maria, a louca, ria alto, alto demais para que Carlota Joaquina conseguisse se recompor da própria desventura quando abrupta e palpitante ela acordou levantando o dorso para encarar a realidade. Mais feliz do que quando foi dormir, passou a gargalhar. Findado o frenesi, Carlota encara o nada com um meio sorriso e desabafa:

-Velha louca! Bigoduda são tuas partes!

Se for de vontade, comentem dizendo da qual mais gostaram. ;D

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Parabéns jornalista e futuros!

escrito a partir das 9:53 de 7 de Abril de 2011, ou seja, DIA DO  JORNALISTA!  (aeeEEwwwW)

Comemoro hoje pelo segundo ano o dia do jornalista fazendo parte dessa gama de criaturas que resolveram fazer da vida o interesse da sociedade. E por mais que a realidade, as vezes, decepcione e o interesse comercial tente tirar a verdade e o charme da profissão além do STF querer acabar com tudo mesmo, graças a algo maior não conseguiram e nem conseguirão.

Amante da profissão e adepta das redes sociais, hoje no twitter o trend topic está a milhão com o #diadojornalista e não é para menos, querendo ou não, nós, mediadores da informação, cercamos você, positivamente falando, o tempo inteiro. 

Bom, poderia dizer muita coisa porém vamos ao interessante. Leitor, ser humano! você é nosso foco, nossa salvação, nossa chance, nossa razão, nosso impulso. Acredito que a maior parte das pessoas, por mais que não vire nem notinha de falecimento, não sabe o quão importante é para o jornalista e o jornalismo. Mesmo que você nunca seja a fonte ou a protagonista de uma notícia, leitor você sempre pode ser.

Eu, e muitos que conheço, escolhi o jornalismo pelo mesmo motivo dos alunos de medicina. Queremos servir de forma positiva ao ser humano - a diferença entre nós você vê pela fachada da casa de cada um daqui uns dez anos. 

Finalizando, gostaria de parabenizar os profissionais, os bons profissionais que estão ai e persistem e fazem bons programas, notícias, reportagens e etc (um dia eu comando o Roda Viva com a categoria de Marília) e logicamente os obstinados estudantes, assim como eu, que estão em tudo isso porque simplesmente não se imaginam fazendo outra coisa.

Eu amo jornalismo! uHuUll

terminado às 10:17  

terça-feira, 29 de março de 2011

3D.texto

Direto da tumba este texto foi escrito em 16 de novembro de 2010  a partir das (+/-) 20 h para uma disciplina da faculdade.
Obs: este texto foi descartado, por assim dizer, não aproveitado, mexido  o suficiente para descaracterizar o original que aqui posto.
Obs 2: Esta é  uma forma de trazê-lo a tona e fazer jus a alguma coisa, mesmo que seja descobrir que ele realmente é ruim.
Obs 3: como eu estou querendo saber a qualidade dele (texto), então eu peço: Comentem! xD 

Incrível, fascinante e... Muito antiga!(????) Essa é a melhor definição para a tecnologia 3D. Muitos dos que viram Avatar podem estar se perguntando (ou melhor ME perguntando) como nomear de antiga a tecnologia que projeta os efeitos assistidos nas telas das salas do cinema? Difícil de acreditar, porém verdade, o primeiro filme 3D, “The Power of Love”, foi exibido em 1922 em Los Angeles, um amor que só tomou força agora, a tecnologia que começou a ser descoberta no século XIX encontrou seu espaço no XXI. 

A “novidade” se consagrou com a exibição do filme com maior bilheteria na história. Avatar nos faz pensar, se faz tanto sucesso por que as salas com tecnologia 3D não invadem os cinemas brasileiros?


Dinheiro. Está ai a resposta de nossas angústias e soluções, hoje os óculos não trazem mais as dores de cabeça causadas pelas lentes azul e vermelha de antes, porém o entretenimento custa e custa caro. Apenas para ter todo o equipamento seria necessário desembolsar cerca de 120 mil reais, fora a manutenção. Ai você já exclui as pequenas e esquecidas cidades do interior que mal sustentam suas salinhas únicas e a pipoca do Seu João.

Porém aos desesperados, nada de aflição! Não ter 3D não é o fim do mundo, o 2D não pode, nem deve ser desprezado. Ele (2D) não desaparecerá, a maioria dos filmes em três dimensões são animações, veja exemplos: Shrek, Up - Altas Aventuras, Toy Story 3 e por ai vai. Sintomas de um público mais crianção, o que acaba não excluindo ninguém. Bem, lendo isso, desespere-se!

terminado por volta das  21:53 

sexta-feira, 18 de março de 2011

Realidade: mercadoria do teatro sensacionalista. Jornalismo marrom, uma vergonha

escrito às 16:16 de 16 de março de 2011
Obs:  As fotos são dessa  qualidade inenarrável porque eu tirei enquanto assistia o filme
  

Um filme muito bom, eu não imaginava o tanto. Penso que meu impacto é causado por, de certa forma, eu fazer parte do mundo que retrata "Mad City", no Brasil trabalhado como O Quarto Poder. 



Bem, primeiro vamos nos contextualizar. Estava eu em mais um dia de boa da minha vida. Fui para a faculdade. Chegando lá, passado um pouco de tempo, um amigo meu me conta que a professora sem voz tentou falar com ele. Nosso balanço final: não vai ter aula. No final das contas a professora foi dublada por uma aluna (foi muito hilário). Mas a verdadeira ideia deste parágrafo é dizer que foi uma baita de uma aula. Ela escreveu que prestássemos atenção no jornalista em questão, interpretado por Dustin Hoffmann, e acredito que isto tenha me aguçado mais para perceber as coisas.

O filme é bem objetivo e infelizmente realista. Logo no início, naquela fase de apresentação de local e personagens, os equipamentos, como câmera e microfone, são mostrados por partes, fazem barulho como gatilhos. 

-É essa a intenção. 

Me disse uma amiga quando comentei a cena bélica. E não é apenas no filme, que todo aquele equipamento, é uma arma.



Ao longo do filme, que eu não vou contar (ha-ha!), uma estagiária simples vira uma carniceira sensacionalista, o mais "justo" na verdade era um omisso e não levava em consideração o interesse público, a estrela americana do jornalismo retratada no filme é um biltre e o principal só acorda para descobrir o quão pulha é quando perde o posto, o holofote, o prestígio, o dinheiro e enxerga a sujeira tão semelha nos "colegas" de emissora. Disfarces para invadir a privacidade das pessoas, sem que essa atitude tenha relevância. Sem contar nos chefões, esses não precisam de descrição nem filme para saber: audiência-dinheiro! audiência-dinheiro! audiência-dinheiro!

Bom, minha prece é que eu não chegue nunca a loucura de tratar as pessoas como fantoches através da "máscara jornalística". É abrupta a forma como alguém se torna tão... pequeno, perigoso e mesquinho quando perde a noção dos limites (AH, NO FILME O PERSONAGEM NÃO É FORMADO, NÃO ESTUDOU!! Te lembra alguma decisão do STF?? A mídia na mão de qualquer um que se diz/se faz de jornalista). Show business não tem nada a ver com jornalismo, pena que são tão poucos os que agem de acordo com isso.


Assistam, vale muito a pena. 

terminado às 16:32 

sexta-feira, 11 de março de 2011

Estilo: a impressão digital através das letras

escrito em  11 de março de 2011 às 14:13 horas

Reparando no livro "O gôsto da guerra" (preciso ler outro livro logo, eu sei!) e através do último post (Reações ao Feição de Foca), aliás, através das conversas pelo messenger que me levaram a escrevê-lo eu revivi, em memória, um conselho com ares de pedido que recebi há menos de um ano, no final do primeiro semestre do ano passado.

Eu havia entregado um trabalho, e meu professor, depois de ter dado a opinião sobre o conteúdo, me surpreendeu com o conselho de que, ao longo da faculdade, eu não perdesse meu jeito de escrever. Ele disse que seria difícil,  o que não é mentira. Após essa conversa e de ter pensado um pouco, eu realmente fiquei com receio de "perder a mão" por causa do número de notícias e trabalhos acadêmicos ser bem maior que o do tempo livre para escrever o que se quer. Medo de ficar no "automático", lead lead lead!!!! Seriedade o tempo inteiro. Medo de envelhecer o que sempre me propiciou ser e dizer o que eu quisesse: a escrita.

E ah! Não é porque sou uma exímio escritora, tenho muita (MUITA) coisa para melhorar, a discussão é o singular, o peculiar, aquele jeito de escrever que lead nenhum permite. Que vai além de ser diferente e interessante, que é seu e ninguém tasca porque é impossível negar. A impressão digital através das letras.

Obs: eu gosto dos leads. Eles ajudam nossa vida, mas nem só de lead se vive. E o lazer onde fica?


terminado pouco antes das 16:23

quarta-feira, 9 de março de 2011

Reações ao Feição de Foca

Obs: este texto tem linguagem que ultraja a língua portuguesa, mas é por uma boa causa, trazer ao seu conhecimento maior veracidade sobre o que me proponho a escrever.

Obs 2: escrito em 09 de março de 2011 às 12:09

Obs 3: ocultei os nomes porque ninguém precisa ficar sabendo. Apesar de eu achar que eles mesmos acabarão se identificando. Ah! Editei uma parte de uma das conversas, mas não modifiquei uma palavra.

Dada a largada, ou nascimento (se preferir) deste que está lendo, mandei link pra uma porção de gente (minto, mandei para cinco amigos, dos quais quatro leram) pois, sem amigos ninguém vai a lugar nenhum. E é incrível como a reação das pessoas é interessante.

O primeiro disse que iria estudar, depois lia e comentava.  Maior incentivo que este, nossa! Impossível! Mas como conheço a peça faz tempo eu sei que a intenção era verdadeira. Resta saber se ele se lembrou de ver depois, ai é outra história.

Passado este, mais uma tentativa, e eis que:

Patrícia diz:
ve oq vc acha
http://feicaodefoca.blogspot.com/
Amigo 2 diz:
vou ver
legla hein
legal
puro jornalismo.
o negócio do tempo impressiona
é como se ele tivesse somente aquele momento para escrever
é legal. parece um depoimento ao vivo
é como se o leitor tivesse oportunindade de ver o momento de estalo das ideias
é uma especie de big brother dos pensamentos
rsrsrs
nos aproxima da notícia sem rodeios, sem elaboração. acho que puro.
Patrícia diz:
e o texto
q achou?
Amigo 2 diz:
achei bom.
descritivo
apinativo
opinativo
por que
chama-se feição de foca
é uma analogia ao nariz empinado
prepotência

Gostei do questionamento dele, apesar de já imaginar que iria fazê-lo. Assim como muitos devem ter esta dúvida também. Um dia escrevo algo sobre. Por enquanto, assim como disse a ele:

Patrícia diz:
isso mesmo.. se mata ai
u* dia vc descobre
husshushu
  
* um
Bom, minha terceira opinião veio depressa:

Patrícia diz:
quando puder dá uma olhada: http://feicaodefoca.blogspot.com/
Amiga 3 diz:
Uhuuu. Adorei o texto Pa!
Eu li ele inteiro...rs
Nossa, impossível não falar que não é seu...da para ver você falando...(metafóricamente)

Eu não imaginava que minhas “características textuais” fossem tão evidentes. E talvez não sejam mesmo. É que esta minha amiga por livre e espontâneo ambiente de trabalho conviveu comigo por meio ano. Elementar que ela me desmascare assim, com essa naturalidade.

Minha quarta opinião estava mais próxima, cerca de alguns poucos centímetros. A primeira pergunta foi:

- De quem é esse blog?

Eu não devia ter dito logo de cara, mas sou meio boca aberta e saiu que era meu. Ela me elogiou. E claro, meu ego inflou mais um pouquinho.

Mas nem tudo são flores caro leitor, e lembre-se: estou falando de opinião de amigos meus. Porém nem mesmo em meio a amizade a gente deixa de esbarrar em umas opiniões nem tão empolgadas assim, e se depara com um “legal”. Mas vindo de quem veio, se estivesse ruim ele não teria me negado uma de suas frases persuasivas que costuma carregar na estampa das camisetas pretas sanguinárias. Não é Zé?

terminado às 13:23 

Uma Resenha

Obs: o texto foi escrito em 8 de março de 2011 às 0:16 horas e como autora tomei a liberdade de tentar melhorá-lo durante a transcrição.


Acabo de ler o livro "O gôsto da guerra" do jornalista José Hamilton Ribeiro, que trata da guerra do Vietnã, para onde, em 1968, foi enviado como correspondente.

O que tenho a resumir sobre minha impressão final é: o li em uma semana. Hoje, aliás, ontem (7/3) eu praticamente engoli as páginas, tamanho o impacto do documento e trabalho jornalístico prestado e escrita tão crítica e fina que envolve o leitor.

Minha vontade neste momento é saber tudo o que se passou no Vietnã desde então. E que bom! acredito que o maior desejo de qualquer jornalista é este mesmo:  mais que a reflexão inerte, provocar, ao menos, a busca para saciar a sede instigada.

A segunda parte do livro, em que Hamilton se deteve em explanar unicamente sobre a guerra, depois de, na primeira parte, ter relatado sua vivência -ambas equivalentemente incríveis- a sensação de náusea causada pela falta de limites e absurdos relatados e que ocasionaram e mantiveram a guerra é imediata.

A ainda maior potência mundial assim como o país anteriormente colonizador do Vietnã causou opressão e sordidez aos vietnamitas. Impondo-se a base de sangue e ideologias bem tortas (desculpa esfarrapada mesmo). Sentimentos os quais, o primeiro país citado, também teve de enfrentar para conseguir sua liberdade, e mesmo assim não se vacinou contra, mas resolveu aplicar a meio mundo. É a verdadeira escória, dissimulação e nojeira do mundo.

Agora entendo o vermelho, branco, azul e estrelas da bandeira. Respectivamente sangue, falsa e hipócrita ideologia pacificadora, status de soberba igualada ao céu e seus astros.

terminado às 0:31