sexta-feira, 15 de julho de 2011

A vida é amarga, mas a carga é doce

Os óculos sobrepostos tentam uma melhor 
ótica sobre o que a realidade lhe propõe 
- Prazer, Antonio Carlos.

Ele me estende a mão, nos cumprimentamos. Vamos até um salão que se assemelha a um restaurante popular, com várias mesas de madeira dispostas no espaço, cobertas por toalhas estampadas de flores.

Ele, eloquente como apenas um criado em meio político pode ser, explica com um pensamento a determinação da qual se encheu para ir embora. A verdade sobre como o ser humano se mostra: quase por completo. A porcentagem restante, única e pequena, é a que o íntimo conhece e desconhece ao mesmo tempo. A que faz um homem sair de casa.

"Hoje eu estou assim com Deus: se eu ficar 
vivo é um favor que ele me faz. Se eu não estiver, dois.”
Nos sentamos no canto perto da janela, por onde o sol  adentrava clareando o ambiente e os vários moradores que, um em cada canto, faziam sua parte descascando um por um das centenas de dentes de alho dos baldes.


Morador de rua desde 2000, já passou por muitas cidades. Alcoólatra, ex-pai de família, cinco filhos, tendo destes, quatro vivos. Foi embora dizendo que ia comprar um maço de cigarros. Nunca mais voltou.

“O amor de infância é o melhor que tem
(...) a sinceridade da infância é tocante,
uma espada (...) derruba qualquer gigante”,
diz lembrando da infância dos filhos 

Aos 55 anos de idade, Antonio Carlos inicia explicando os vários costumes que um morador de rua pode adotar. Ele é o do estilo cíclico, já passou pelas ruas e agora está na Casa de Apoio aos Irmãos de Rua na cidade de Tatuí, sudoeste de São Paulo. Cíclico pois alterna sua estadia da Casa para as ruas ou outra instituição.

O abrigo é cheio, mas quase não se ouve vozes. Enquanto  a entrevista prossegue e a  câmera é pega  para algumas fotos,  alguns olhos desconfiados, de não moradores de rua, vigiavam fixa e duramente. Já os moradores, pareciam nem notar a movimentação incomum.


Veio de São Paulo, cidade na qual tinha uma vida financeira razoável quando comparada a de Bill Gates, que, para seu Antonio, é quem tem uma vida boa. Ele passou por dificuldades judiciais que tiraram seu nome do mercado de trabalho. Exercia engenharia civil pela Prefeitura de São Paulo e teve seus direitos como profissional caçados.


Alguns moradores de rua almoçam 
enquanto seu Antonio Carlos segue 
até seus projetos. No caminhão, 
a frasetraduz as emudecidas e
 solitárias faces : "A vida é amarga,
mas a carga é doce."








Junto aos transtornos do processo e o desemprego, procurou vender seus projetos para escritórios de engenharia, já que não podia os assinar. Neste contexto, o convívio familiar foi modificando e os problemas surgindo.

Um viajante. “Quando você 
não tem um lugar para voltar, 
automaticamente, 
se é um viajante” 

Já na rua, ele subsistia com pequenas prestações de serviço e vivia junto à mãe que estava doente. Compartilhavam o alcoolismo.

Após a morte da mãe, seu Antonio passou 
por diversas cidades até chegar, por meio do ex-cunhado, à Tatuí. Abrigado em um lar administrado por instituição evangélica ele preferiu sair e seguiu à Casa de Apoio aos Irmãos de Rua, lugar para onde voltou recentemente após uma temporada no estado do Rio Grande do Norte.




Ele se debruça sobre a planta. Esta é a
parte da entrevista em que mais
gesticula, explicando
parte a parte do projeto
Analisando as decisões que mudaram o curso de sua vida, ele não se arrepende. Continua trabalhando, inclusive para a Casa de Apoio, planta a qual mostra e explica as mudanças e procedimentos.


Sem contato com a família e sem perspectivas, ele diz que o maior amor que teve na vida foi por seus filhos na faixa do zero aos sete anos, e que hoje tem amor a cada coisa que faz. Mas é nítido ao que tem mais paixão: aos projetos.






A entrevista que fiz com seu Antonio Carlos foi muito marcante para mim. Essa é uma das minhas reportagens mais difíceis de terminar por questões técnicas até hoje, mas valeu muito a pena.  Escrita para a matéria  de Jornalismo na Internet I essa reportagem deveria estar e deverá ser publicada no site Sou Repórter
Link da reportagem para o site Sou Repórter: http://soureporter.com.br/?p=1046 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Concurso nacional literário de contos, crônicas e poesias Paulo Setúbal

Essa entrevista foi feita para a matéria de Radiojornalismo I.  Informa sobre o concurso nacional de literatura promovido pela cidade de Tatuí e contém entrevista com Sueli Aduan, ex-jurada do concurso.
As inscrições encerram nessa sexta, 15 de julho.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Pelo riso e a chaga: jornalismo e design se unem num casamento – quase – perfeito

 Esta reportagem  foi escrita em 16 de junho de 2011 como prova da matéria Técnica de Reportagem, Entrevista  e Pesquisa Jornalística I, ministrada pela Profª Drª Ana Maria Cordenonssi .
Obs: evidente que eu só a publico porque o resultado foi positivo, me rendendo um A e  uma paz interior após dias de consternação profunda (que exagero, mas estava preocupada sim).
Obs 2: Uma reportagem sobre o Salão Universitário de Humor de Piracicaba edição 2011. Procurei corrigir os erros apontados pela professora, mas não sei se lembrei de todos.  Porém sem aflições! (Por milagre) Eu tirei A, não?! Então não é nenhum erro escabroso que talvez tenha vazado. 
Tenho dito. xP

Risadas, sátiras, críticas e mensagens. Uma mistura de cores, formas, ideias, traços e talentos. Uma arte que busca, além da qualidade visual, a reflexão sobre temas diversos. Preenchem nosso dia a dia nas páginas dos periódicos, marcam a história. O Salão Internacional de Humor de Piracicaba começou em uma época em que a censura reinava e os cartunistas queriam dizer e fazer muito, mas não era graça.

No ano de 2011, o salão passa por sua 19ª edição. Entre a programação de abertura aconteceu a mesa redonda “Humor Gráfico, Design e Jornalismo” com participação de cartunistas de alguns dos veículos da comunicação brasileira de maior abrangência. Eduardo Baptistão, 20 anos no jornal O Estado de S. Paulo, Dalcio Machado, da revista Veja e maior vencedor brasileiro em concursos para desenhistas por todo o mundo e Gustavo Duarte, há 11 anos no jornal O Lance.

Salão enchendo. As cadeiras verdes abrigavam os diversos convidados, alunos, concorrentes e jurados do concurso. O Salão Universitário de Humor, simultâneo ao Salão Internacional de Humor de Piracicaba, deu seu veredito na noite de sexta-feira, 10 de junho, após o debate. As luzes se apagaram e os vencedores foram conhecidos pela plateia, que desenho após desenho, sazonalmente reagia com risadas e interpretações sobre as mensagens que os desenhos passavam através do silêncio causado pelo deslumbre ou pelo impacto das críticas.

Na anunciação do vencedor da categoria meio ambiente do Centro Cultural Martha Watts, Camilo Riani, coordenador do Salão Universitário de Humor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) desvenda:

- O prêmio é do... como é que é...? Saman Ahmadi do Irã!

A crítica atravessa fronteiras. Fronteiras tais que podem estar mais perto que o Irã, aliás. Questionados sobre a “tática” de burlar os fiscalizadores da ditadura usada pelos cartunistas do jornal O Pasquim, os convidados argumentam e fazem afirmativas sobre a necessidade de “maquiar” as charges para evitar problemas.

- Há sim como passar a mensagem e se fazer entender para o leitor sem dar nome aos bois para evitar processo. Dá muito trabalho, é bem mais difícl de fazer, declarou Gustavo Duarte.

Tema constante no debate, o limite e o bom senso foram destacados pelos cartunistas como necessário, mas algo adquirido ao passar do tempo. Porém a maior utilidade para essa sensibilidade não é o medo, mas o respeito a situações complexas, que mexem com o sofrimento de terceiros. A crítica à política deve ser feita constantemente. Dinâmica e, infelizmente, com muito repertório ela pede bastante do cartunista e surpreende também.

- Eu fiquei muito feliz quando vi o espaço da charge e principalmente por não ter nada escrito, apenas o desenho. Não esperava, diz Dalcio Machado a respeito do destaque dado a uma charge do ex-presidente Lula feita por ele que foi capa na revista Veja na edição da última semana de setembro de 2006.

Com algumas críticas aos jornalistas, eles, que também contribuem para a construção de uma sociedade mais reividicadora, consciente e participativa, reclamam seu espaço.

- Muitas vezes o jornalista me chama e começa a falar sobre as ideias dele para a ilustração da matéria. Algumas coisas não dão para fazer, ficam feias ou não darão certo com a diagramação e alguns não aceitam opinião, mas é claro que, como toda profissão, existem os mais bacanas, afirma Baptistão.

Ligados ao jornalismo, os cartunistas não se veem fazendo outra coisa. Mas se caso não tivessem abraçado essa profissão seriam jornalistas, talvez? Eduardo Baptistão confessa que seu primeiro vestibular foi para jornalismo, mas no fundo não teria como seguir a profissão.

- Eu desenho no barulho da redação, não sei como vocês jornalistas conseguem escrever, declara Baptistão.

E o casamento entre o design e jornalismo fica por esses termos, entre os tapas e os beijos, cutucando e causando o debate na sociedade, assim como se preza um bom jornalismo, através da crítica por várias formas. Aliada ao riso para, muitas vezes, não chorar.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Final do final de semestre: poucas coisas trazem tanta paz

Obs: esqueci de ver quando comecei, é a demora de novos posts que faz isso, mas foi agora de pouco.

Há quem reclame das mais rotineiras coisas, porém o que são essas circunstâncias perto do desespero que assola um universitário que sabe que os junhos e novembros dos próximos anos JAMAIS serão os mesmos?

Não há maneira de dizer o que é o efeito ressoante, persistente e desolador que a ameaça das letras D e P juntas trazem a esse pobre cidadão que está à procura de uma profissão. Sensação de desconforto que não passa com conversas ou "Eno, alívio já!". É mais profundo que isso, já que a pobreza grita alto em nós ao ponto que se a mensalidade já é o CÃO, uma DP é um buraco que leva para debaixo da terra nosso sonho de terminar o mais rápido possível a faculdade.

Porém estudantes, o que dizer de um ser humano que faz uma viagem de Piracicaba – Tatuí, 80 km, berrando “AEWWW!!” ?? “Pane no sistema” de Pitty, talvez? Nananina.. é o último dia de aula para alguém que de forma impressionante escapou da própria neurose e pelo próximo mês não passará 3h dentro de um ônibus. É o fim do fim do semestre! Melhor que muita coisa e menos pior que tantas outras...

terminado às 14:28 de 04 de julho de 2011